Segunda-feira, 19 de Maio de 2008


... mas é sempre o que acontece na vida: imaginamos representar um papel numa determinada peça e não percebemos que os cenários foram discretamente mudados, de modo que, sem saber, devemos atuar num outro espetáculo.
Milan Kundera

Sábado, 17 de Maio de 2008

Um jeito legal...

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Porto Alegre é demais



Há uma cidade que eu amo. Ela é linda, misteriosa, enfeitiçada. Impressiona-me de tal maneira, que nela gostaria de morar. É banhada pelo Guaíba, que é um rio imenso, quase um lago. Em seus quarteirões tem jacarandás floridos, o Bric da Redenção, o Mercado Público, a Feira do Livro, o gasômetro. Ah, quantas saudades! Falo de meu Portinho, orgulhosamente. Porto Alegre é a cidade de Quintana, arquitetada por seus versos, cantada por seu jeito travesso de poeta menino. É metrópole, capital: nossa poesia, minha inspiração. Porto Alegre, cidade da gente. Brasileira!



Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Copenhague


Com um cesto nos braços saio para fazer compras. Sinto-me feliz, pois vou perambular pelas ruas da cidade que há muito já que se tornou uma casa para mim. Vim parar em Copenhague quase sem querer, mas talvez tenha sido este o lugar que por mim esperava. Assim sendo, desfiz as muralhas que por ventura entre nós existiam, familiarizando-me com seus modos, sua graça e com seu charme acolhedor.


O lugar em que vivo... Copenhague parece sempre nova, constantemente alegre. Com sua multiplicidade de cores, é uma cidade cheia de arte, oferecendo parques e jardins, assim como espaços alternativos, onde o caos e a ordem se misturam. Vou trilhando por estas ruas bonitas e bem cuidadas. Aqui nada é monótono e a vida acontece em cada esquina e é celebrada prazeirosamente. As pessoas são felizes, autênticas e bem humoradas. Autenticidade é um jeito de ser: é uma postura, comportamento. Os dinamarqueses são marinheiros natos, de olhos abertos para o mundo e para o futuro.


Copenhague - rodeada de mar - é metrópole palpitante, cosmopolita. Sua atmosfera de cidade portuária estimula para criar e produzir. Designers, poetas, jornalistas, engenheiros artistas e todo um povo de profissionais talentosos reinventam a cidade todos os dias, tornando-a atraente para o mundo. Copenhague é o palco de realizações da vida cotidiana de suas gentes, o espaço que lhes cabe e em que é aceito – a cidade de cada um... e minha também.


Enchi meu cesto com frutas e verduras, com boas vibrações e fortes energias. Comprei um buquê de tulipas vermelhas para enfeitar minha casa. Vejo-me, assim, a passear pela capital da Dinamarca, tingida de luz nesta primavera morna e festiva. Muitas vezes me pergunto como foi que a vida em trouxe para esta cidade. Na verdade, não sei... Sei apenas que continuo, por ela, irremediavelmente apaixonada.

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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Lugares

Fotografia: Entardecer em Laguna
Maria de Fátima Barreto Michels


Correr mundos é a marca atávica que carrego em minhas veias. Ultrapassando fronteiras, traço uma minuciosa busca que me conduzirá por um país desconhecido. Ouço, então, o seu idioma e deparo-me com a sua história. Descubro pequeninos detalhes no traçado de sua geografia: texturas, formas, linhas e cores. Procuro sentir a atmosfera do lugar e o efeito que ela exerce sobre mim, vertiginosamente. Recebo e absorvo um relâmpago de novidades, busco o complemento com os olhos e fotografo o que me deslumbra. Depois, deixo-me impressionar pela infinidade de essências e gostos que o lugar exala, aguçando-me os sentidos.


Sigo passo a passo, vagarosamente. Percorro ruas e largos. Vou por um atalho e cruzo todos os caminhos possíveis. Entro nos bares, tomo um café e observo as pessoas. Sinto o ritmo das coisas e o pulsar da vida. Assim, meu trajeto já não é mais tão estrangeiro. Criei laços, ainda que tênues. Por alguns dias, prossigo minha jornada e coleciono experiências. Guardo-as cuidadosamente em meu alforje.


Viajar é um encontro, uma experiência e uma aprendizagem. Imaginar como é linda uma cidade, já é algo inebriante. O mundo é tão vasto e há uma diversidade muito grande de culturas para conhecer. Ao voltar de nossas odisséias, já não seremos a mesma pessoa, pois novas imagens passarão a povoar nossa vida, enriquecendo-a. Então contaremos coisas, como se tivéssemos acabado de ler um romance.


Contudo, é preciso saber apreciar uma outra civilização, seus usos e costumes. Este processo já inicia em nossa pequena aldeia. Se não valorizarmos o país em que nascemos, jamais estaremos aptos para ver outros mundos. Nele, há muitos caminhos para peregrinar... O espaço que nos cerca é um lugar não muito longe, mas singularmente belo.